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terça-feira, 10 de outubro de 2017

ARRUACEIRO

ARRUACEIRO
Pedro Penido


Há tanta gente
e tanta norma
e tanto medo
e tanta forma
na mente
escancarada
do brasileiro

que eu,
do lado de cá,
no branco
de um verso nublado
só posso refletir
sobre o papel
da arte
nesse mundo
de deuses odiosos
e odes ao dinheiro

e concluir
que liberdade
é horizonte,
que arte é fronte, 
que amor é ponte
e que todo verso,
em absoluto,
seja arruaceiro.

Crepusculemos

CREPUSCULEMOS

Adentramos o crepúsculo,
de armas na mão.
Enquanto carregam tochas,
carregamos a razão.
Enquanto carregam ódios
carregamos o coração.


Adentramos, camaradas, o crepúsculo
cujos tentáculos esguios alcançam a escuridão,
construindo muros ao invés de pontes,
segregando o mundo sem compaixão.

À nossa frente, ruas afora,
estende-se o mais insano breu,
onde desaparecem filhos tantos,
e criam-se ilusões de apogeu.

Perseguirão nas ruas e dentro das casas
quem for diferente ou pensar como nós,
e estarão fortalecidos pelo conforto da ignorância
aqueles que chamam de salvador o próprio algoz.

Pois a História tem um verbo,
e esse verbo respira revolução.
Num dia perseguem a verdade,
no outro a mergulham na escuridão.

Adentremos o crepúsculo,
de armas na mão.
Enquanto carregam tochas,
carregamos a razão.
Enquanto carregam ódios
carregamos o coração.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sorvo e Tormenta

Sorvo e Tormenta
Pedro Penido

Tomo-te nos braços
e trago do sorvo dos lábios teus.
Feito vento de tormenta
em nau de náufrago dissabor,
louco até o fim do mundo,
tão perto de ti, tão longe de deus.

Flâmula negra e flâmula escarlate
num baile de canhões e morte
um usa a esgrima, o outro a arte.

Olhos de falcão pela lâmina afora
em duelo de golpes de sorte
enquanto o desejo-tempestade aflora.

Tomo-te nos braços
e trago do sorvo da boca tua.
Feito vento de tormenta,
em mau e trôpego ardor,
escorre a lâmina na carne nua.







quinta-feira, 4 de maio de 2017

Feito louco, poeme-se



Feito Louco, Poeme-se



Rabisca as nuvens no céu,
os dedos úmidos no bordel,
ou sangue novo no papel.


Rabisca... e isca...
Deleita... saboreia...
Acende... devaneia...

Larga, no canto da sala,
nas sombras, nas curvas,
nos instantes, nos lábios,
rimas sem qualquer valor.

Fala da luta, da paixão, da dor.
Fala pra puta, pro irmão, pro amor.

Acima de tudo,
feito louco,
poeme-se,
vil e voraz.

Esse mundo,

não é dos deuses.
Esse mundo
é o que a gente dele faz.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Ventos Frios de Temer

Ventos Frios de Temer


Em tempos sombrios
o frio exaure a alma.

E arranca dela
tudo que ela tem.

E arranca da face
toda a alegria que houver.

O frio,
do tempo sombrio,
é para Temer.

Sorri,
gélido,
para a exceção.

Conspira,
malévolo,
pela subordinação.

O sorriso
do assassino
cujo punhal
ainda vibra
em sangue.

Em tempos sombrios
os frios são de Temer.
E de ventos frios assim
nasceram tantos fins.

E para o frio
nada melhor
que o calor.

Para o tempo sombrio
nada melhor, meu amigo,
que o amor.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Supere-se


Perceba
o monstro que é
ao se olhar nos espelhos da jornada.

Vibre
com o deus que é
ao errar pelos vermelhos da alvorada.

Sinta-se
nos ventos e nos mares
nos dias e luares.

Supere-se.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Tempus Fugit, Vita Brevis

Tempus Fugit, Vita Brevis
Pedro Penido

que tempo é este que achamos ter?
tempus fugit, vita brevis

única divindade concreta de nossas vidas é a inevitabilidade do tempo. única singularidade de nossos tempos é irreversibilidade da vida.

você planta vento, colhe brisa ou tempestade. você plana tempo, colhe as poesias sóbrias ou sonhadoras da idade.

você ri de si e vive mais ou menos. vive de vivências e felicidade.
você desenha nas nuvens num dia ensolarada e escreve com tinta escarlate em dias nublados de sol esbranquiçado.

você escreve, pinta, dança... crava na rocha a forma e no ar melodias musicais. você descansa na rede ou se cansa pelas ruas outonais.

você caminha sozinho ou acompanhado, artista ou soldado, sonho ou materializado...

você põe os pés na areia da praia e deixa um legado... nas pegadas que as ondas levam embora, no perfume tão singular e largado...

você diz o que quer, ouve o que não quer e segue a caminhada...
apresenta os amantes, aposenta as opiniões formadas. segue, metamorfose ambulante, por areias novas em ventos jamais voados...

sempre em movimento... pense assim... pensar em movimento feito brisa louca dançando nos jardins... feito tempestades majestosas mudando tudo dentro de si...

você anda... o tempo anda com você...
você para... e o tempo segue... sem te conhecer...

que tempo é este que achamos ter?
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