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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Feito louco, poeme-se



Feito Louco, Poeme-se



Rabisca as nuvens no céu,
os dedos úmidos no bordel,
ou sangue novo no papel.


Rabisca... e isca...
Deleita... saboreia...
Acende... devaneia...

Larga, no canto da sala,
nas sombras, nas curvas,
nos instantes, nos lábios,
rimas sem qualquer valor.

Fala da luta, da paixão, da dor.
Fala pra puta, pro irmão, pro amor.

Acima de tudo,
feito louco,
poeme-se,
vil e voraz.

Esse mundo,

não é dos deuses.
Esse mundo
é o que a gente dele faz.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Ventos Frios de Temer

Ventos Frios de Temer


Em tempos sombrios
o frio exaure a alma.

E arranca dela
tudo que ela tem.

E arranca da face
toda a alegria que houver.

O frio,
do tempo sombrio,
é para Temer.

Sorri,
gélido,
para a exceção.

Conspira,
malévolo,
pela subordinação.

O sorriso
do assassino
cujo punhal
ainda vibra
em sangue.

Em tempos sombrios
os frios são de Temer.
E de ventos frios assim
nasceram tantos fins.

E para o frio
nada melhor
que o calor.

Para o tempo sombrio
nada melhor, meu amigo,
que o amor.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Supere-se


Perceba
o monstro que é
ao se olhar nos espelhos da jornada.

Vibre
com o deus que é
ao errar pelos vermelhos da alvorada.

Sinta-se
nos ventos e nos mares
nos dias e luares.

Supere-se.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Tempus Fugit, Vita Brevis

Tempus Fugit, Vita Brevis
Pedro Penido

que tempo é este que achamos ter?
tempus fugit, vita brevis

única divindade concreta de nossas vidas é a inevitabilidade do tempo. única singularidade de nossos tempos é irreversibilidade da vida.

você planta vento, colhe brisa ou tempestade. você plana tempo, colhe as poesias sóbrias ou sonhadoras da idade.

você ri de si e vive mais ou menos. vive de vivências e felicidade.
você desenha nas nuvens num dia ensolarada e escreve com tinta escarlate em dias nublados de sol esbranquiçado.

você escreve, pinta, dança... crava na rocha a forma e no ar melodias musicais. você descansa na rede ou se cansa pelas ruas outonais.

você caminha sozinho ou acompanhado, artista ou soldado, sonho ou materializado...

você põe os pés na areia da praia e deixa um legado... nas pegadas que as ondas levam embora, no perfume tão singular e largado...

você diz o que quer, ouve o que não quer e segue a caminhada...
apresenta os amantes, aposenta as opiniões formadas. segue, metamorfose ambulante, por areias novas em ventos jamais voados...

sempre em movimento... pense assim... pensar em movimento feito brisa louca dançando nos jardins... feito tempestades majestosas mudando tudo dentro de si...

você anda... o tempo anda com você...
você para... e o tempo segue... sem te conhecer...

que tempo é este que achamos ter?

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Cá estamos

Cá Estamos
Pedro Penido

Cá estou
outra vez.

Resto do mundo,
do tempo, dos gritos,
dos medos, das sombras.
Resto de tudo.
Nada do que restou.

Cá, neste verso, estou.

Trôpego.
Frase a frase,
rima a rima.

Sem fôlego.
Crase à crase.
Sina a sina.

Palavras...
meu santuário,
um campo de concentração.

Sensações...
obituários
das revelações.

Cá estou eu,
mais uma vez.

Jogando cartas com os ventos.
Brincando de sentir o mundo.
Ludibriando meus sentimentos
sendo tão raso num eco profundo.

Há um monstro
dentro de todos nós.
Imerso nas sombras
que emanam da voz.
Das vozes que falam,
das vozes no papel.

Há um monstro
dentro de mim e de você.

Liberte-o... dê-lhe um céu branco...
Deixe-o voar... tocar... escrever...
Que a vida seja o rascunho
de tudo que há de ser dito.

Que o tempo seja mero esboço
deste eterno manuscrito.

De todo o nada,
e do nada de tudo,
somos apenas tudo e nada que restou...

Por isso, meu amigo...
Mais uma vez, cá estou.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Desarmonias

DESARMONIAS
Pedro Penido

De volta à desarmonia,
balanço de forças e variáveis,
que, para o bem ou para o mal,
gira o mundo e termina em agonia.

Desarmônico
cambalear pelas ruas
em passos sem compasso
e noites sem luas.

Há pouco que interessa,
pois o futuro,
de tão rápido,
nem tem pressa.

Obsolescência,
programada.
Adolescência,
violentada.
Paciência,
dizimada.

Desarmonias de agora,
em teares da História,
feito as notas de outrora,
que deixamos na memória.

É de desarmonias
que o nada se alimenta.
E é de poesias
que o nada se sustenta.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O natal de todos os dias

O natal de todos os dias
Pedro Penido

O que se espera do mundo não é a representação simbólica de uma única data, mesmo que esta seja muito especial para muita gente. O que se espera do mundo não deveria caber nos limites de nossos sentimentos. O que se espera da vida não deveria caber na fugacidade dos horizontes do mercado, de nossos ritos sociais, tradições feudais e protocolos dum códice mais dedicado às máscaras que às essências.

É muito fácil ver-se no emaranhado dos submundos teatrais ensejados pelos ares natalinos. Muitos estão atados mais ao simbolismo que à prática de seu significado. Mas ainda assim, mesmo diante desse até ‘estranho’ simbolismo do natal, ecoamos em nossos atos e dizeres, um pouco de um sentimento comumente compartilhado. O mesmo sentimento que, na crença cristã, levou seu messias da vida mundana à eternidade martirizante da cruz numa tarde no Calvário. Este sentimento, talvez o de suporte mais genuíno e válido na cristandade, reverbera pouco e ainda tímido em tantos de nós, nos cotidianos dos anos que passam.

Mas nós, homens de carne e ossos, somos pequenas caixas de pandora. Quando abertos, descarregamos - independente de crença, religião, código de conduta ou histórico civilizatório – todos os males do mundo. Da espada do cruzado que mata um ‘infiel’ indiscriminadamente à palavra do cristão que legitima quase ‘naturalmente’ a morte daquele que pouco lhe serve, lhe importa. Como se vidas fossem números. E vice-versa, claro.

E também, tal qual o mito de Pandora, guardamos em nós o maior de todos os ‘males ou dons’, segundo a mitologia grega: a esperança, na lenda também interpretada como a credulidade irracional. Mas a credulidade irracional responde a estímulos também irracionais, mas não desimportantes ou vazios. Esperar o bem dos cenários mais bizarros e horrendos. Apostar na prevalência do amor ao próximo ante o desdém generalizado. Esperar o melhor de cada ser humano. Essa é a credulidade irracional mais suportável de todas. Ironicamente, é o pêndulo de nossas vidas.

‘Amar ao próximo’ não é um postulado exclusivo dos cristãos. Existia bem antes de Jesus e continuará existindo. Talvez seja até mesmo um senso natural de autopreservação típico em várias espécies de mamíferos.

Portanto, não esperemos milagres, cá, circunscritos aos ditames de um modus vivendi influenciado e viciado por macroestruturas interpostas entre nós e os outros (os outros nós). Avancemos para além do que a tão sarcasticamente casta “publicidade natalina” faz brotar em nós. Não nos convençamos que a data é o gatilho do que esperamos para o mundo. Seja qual for a sua religião ou a sua não-religião, supere a típica tradição natalina das últimas semanas do ano. Transforme-a na realidade e na inspiração de todos os seus dias.

Desvencilhe-se dos aparatos simbólicos que lacraram, em um conjunto de dias, aquilo que seu coração faz pulsar quente e forte quando é apenas você mesmo, sendo e/ou fomentando e/ou desejando o que restou da sua caixa pandora: a esperança. Esta credulidade irracional vinda daquelas fontes irracionais que levam cristos ao martírio pela salvação de todos e tantas outras pessoas a ser o que se pode ser de melhor.


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