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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Escolho meus amigos pela pupila...

Escolho meus amigos pela pupila...
(Loucos e Santos)
Oscar Wilde

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Nas Linhas de Wilde

Viver ou Existir? 
Pedro Penido

Sem razões aparentes as coisas seguem seus próprios traçados. Nada de verdades projetadas, nem teorias de conspiração. Apenas o silêncio consentido daqueles que conseguem seguir as sutilezas das ações. Marcas sem passado, sem presente, sem futuro… estalos absurdos do acaso, sem sujeito ou predicado.

Diz Wilde que a maioria das pessoas apenas existe, poucas realmente vivem. Fato. Existir é um passo cego em direção ao infinito. Existir… materializar vontades alheias e dar vida ao custo da própria essência. Enfraquecer a vontade, fazer doer o intangível e os inacessíveis labirintos dos nossos sentimentos.

Viver… explodir com as barreiras e absorver os mais inexplicáveis horizontes. Abrir mão dos caminhos seguros dentro do código social. Deixar para trás as formatações mutiladoras e jogar os dados com a morte, com a sorte. Dinamitar todas as possibilidades e seguir caminho por entre os escombros da realidade vigente. Sonhar além dos sonhos, dos traços já queimados no papel.

Que tal viver e não apenas existir? Que tal sofrer e não apenas cegamente sorrir? Que tal sentir e não apenas assimilar? Quais as nossas opções, meu amigo? Rumar traçados já experimentados, concordados? Ou implodir as bizarrices de nossas mentes e tornar sonhos mais que projeções além do horizonte?

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